Métrica – Collen Hoover

Não é como A culpa é das estrelas

 

A comparação que faço entre os dois livros para mim e óbvia, uma história triste que fala sobre perda e superação para a galerinha infanto – juvenil. Não estou desmerecendo as obras quando falo isso (ou não  nesse sentido), mas lembrando o que certa vez li na internet no site de um renomado jornal sobre a modinha recente (naquela época, A culpa é das estrelas estava no começo do seu sucesso) de narrar estórias depressivas voltadas para esse público. Não vou entrar no mérito da questão de fazer bem ou não a onda de livros com um teor de auto ajuda indireta, não sei dizer isso, mas na época meu interesse era zero de ler o livro, só recentemente que o li, não achei grande coisa o livro, é bom, e apenas isso.

Só que hoje li Métrica de Collen Hoover, lançado pela Galera Record, e me lembrei imediatamente de A culpa é das estrelas. Mas pra falar a verdade, fui meio a cegas ler esse livro, não li a sinopse e pela capa julguei apressadamente que se tratava de mais um romance sobrenatural desses que estouram a cada semana por ai. E não sei o que me deu (sei sim, na verdade só queria fugir de uma obrigação que tinha que cumprir hahhahaha) o peguei para ler, e claro, trata-se de mais uma versão dessas de A Culpa é das estrelas. E eu gostei, e fiquei até impressionada com isso!

Mas vamos aos fatos.

Em Métrica, Laken,  uma garota de 17 anos que acaba de perder o pai, dolorosamente tem que se mudar de estado junto com a mãe e o irmão mais novo. Quando pensa que nunca mais poderá ser feliz, ou superar a dor que sente pela falta do pai, ou mesmo se acostumar com a nova vida ela conhece Will, o seu vizinho mais que lindo e mais que interessante pelo qual se apaixona imediatamente. Nisso, parece que todos os seus problemas desaparecem e que ela estava vivendo um sonho quando descobre o inimaginável, o Will  é o seu professor, e nem ele desconfiava que ela era sua aluna, ou seja, paixão proibida a vista! Mas isso não é o pior, Laken descobre que essa não é a única coisa da qual ela vai sofrer…

O livro tinha três coisas pela qual eu sabia que não ia gostar, uma deles, e o que me incomodou boa parte do livro era a protagonista. Laken não é das minhas, seus ataques de nervos, suas birras, o ciúmes que causava em Will não me fizeram ama-la. Outra situação é o fato de se tratar de um livro sobre a morte, e por último o fato de conter poesia (olha o título do livro ai 😉 ).

Mas a parte boa é que todos os defeitos que eu encontrei para não gostar foram superados, em parte por que eu parei de birra e aceitei o livro como ele é. A heroína depois de muitas páginas conseguiu me afetar um pouquinho, acho que a autora quis mostrar o processo de amadurecimento dela, de uma adolescente em uma fase de transição para uma adulta responsável lidando com as perdas pela qual passara. O fator morte, ou tristeza, eu geralmente não gosto de livros assim, pois tenho a impressão que a maioria dos livros não trata com a profundidade e a dor que ela causa, e aqui não foi diferente. No entanto, mais do que falar da perda de alguém, o livro trouxe o romance, não focou na morte em si. Enquanto leitora, eu não esperava o desfecho da morte, mas sim o desfecho do romance entre Laken e Will (é bem previsível, a gente sabe logo que os dois vão ficar juntos), o que ganhou pontos comigo em relação ao “A Culpa e das Estrelas”. E sobre a poesia, meu terceiro ‘não gosto’, só vejo que muitos livros que tem esse contexto (onde citam poemas, ou se utilizam deles para formar o próprio enredo da obra) são muito chatos ou então sou lenta o suficiente para entender, vai saber, e mais uma vez, tornam superficiais. Nesse, pelo contrário, adorei as citações no início de cada capitulo, e mais ainda o slam, clube onde as pessoas iam para declamar suas próprias poesias e eram julgadas de acordo com suas performances. Eu amaria ir num lugar desses!

As declamações que mais gostei foi as da garota sobre o “suéter azul”, a do Will (a primeira que ele faz e mostra para Lake) e a da Eddie, melhor amiga da protagonista. Lindas, me toquei com elas, mesmo sendo fictícias.

Sendo assim, com o decorrer da leitura pude aproveitar melhor o livro, me sentir um pouco triste com a perdas que Laken estava passando, e apesar de julgar as atitudes delas como infantis, me perguntei se eu não me sairia da mesma forma se passasse por isso. Apesar de me achar madura e bem centrada nas minhas atitudes, vi que de fato, nos momentos de crise, as verdadeiras crises, é impossível descobrir como agiremos e então recordei o dia que viajei para um lugar que eu não queria ir, para ver pessoas que eu não gostava. Curioso era o fato de que eu sonho ser uma mochileira daquela que anda por toda, por toda mesmo, parte do mundo. No entanto, na primeira viajem que fiz sozinha (um sonho que tinha) fui forçada a ir a tal lugar, e foi terrível. Nada de externo me aconteceu, mas por dentro eu queria chorar, queria voltar para casa, me sentir sozinha e triste. Eu estava lamentável. Por fora, eu estava, como sempre faço, a sorrir e a falar com todo mundo, como se estive no momento mais confortável da minha vida, por dentro, por outro lado, eu gritava de desespero, foi então que tive uma epifania: eu era uma criança! Sim, daqueles que batem o pé quando querem algo, gritam, esperneiam e que acham que podem fazer tudo o que querem. Foi assim que me vi. Insegura diante de uma situação nova e que fugiu do meu controle.

Então, pude voltar a compreender a Lake (ou boa parte das atitudes dela). Vencida essas barreiras voltei-me para outros personagens do livro e gostei muito da Eddie, da personalidade fácil e da estória por traz dela. Claro que a achei a coadjuvante clichê de sempre, mas que mereceria ser a protagonista do próprio livro, além do que, ela me fez lembrar uma amiga minha, com o mesmo jeito alegre de ser, linda, e boa amiga, ( e o curioso fato de ambas fazerem poesias) e infelizmente com uma estória tão triste quanto a da Eddie do livro, agravada, logico, pelo fato de que a estória dela é real, e ao contrário do livro, minha amiga ainda sofre muito com a dor causada pelo passado. O que eu mais queria era que o final do livro, um final feliz romanceado, pudesse se aplicar a minha amiga também.

Quanto ao Will, ele me lembrou muito o Carter do Álbum de Família. Super fofo, além de cuidar tão bem do seu irmãozinho e ser professor de poesia (caras assim só em romances mesmo…), ele ganhou pontos comigo por fazer cenas tão fofas quanto qualquer romancezinho de banca de revistas, ADORO. No entanto, ele não foi meu protagonista perfeito, algumas atitudes dele me fizeram esquecer que ele era descrito como alguém tão responsável quanto era qualificado.

Enfim, é um bom livro, agradável para uma tarde em casa e com o céu nublado do lado de fora. Não um romance de tirar o folego, longe disso, mas é fofo, agradável, e fácil de entender. Acho que por isso vale a leitura. Eu gostei.

p.s.: Métrica faz parte de uma trilogia.

Conclusão: A capa que me fez julgar o livro de forma errada, mas que de alguma forma eu acertei.

Nota: 8

“A pontuação não é o objetivo; o objetivo é a poesia.”

— Allan Wolf.