O Último de Burgh – Deborah Simmons

Último livro da série aclamada e amada das leitoras de livros de banca, falo de Deborah Simmons e seus sete (oito na verdade) homens amáveis da família de Burgh.

Particularmente sou uma fã dos livros de “mulherzinha”. Gosto muito e sempre vejo um ou outro volume que me agrada bastante (isso quando a capa não me faz morrer de vergonha alheia com aqueles músculos, saradões, oleados (?), desnudos, segurando uma mulher sofrida nos braços), no entanto, tenho que admitir que muitas vezes mal chego a terminar a leitura de tão fraco que o livro é. Amo clichês, mas isso não significa que qualquer coisa serve e nisso a Deborah Simmons fez escola  ❤

Em O Último de Burgh (olha que nome legal! Me faz lembrar daquelas sagas épicas , tipo o “último dos moicanos” ou então o “último dos samurais”…boa escolha de título) a história é voltada para o caçula da família, Nicholas, que agora já não é mais um menino e adolescente que acompanhamos nas outras obras, mas sim um homem feito e excelente cavalheiro que empreende uma jornada para ajudar a fofa Emery a descobrir o paradeiro do irmão. Porém, ele mesmo se encontra doente e acha que aquilo é a última coisa que pode fazer para zelar a honra dos D’Burgh.

A história é bonita e bem contada (apesar de achar a parte do mistério da “clava” meio torta e sem sentido), um ponto que me agradou muito foi a mocinha que não fazia as coisas difíceis e era sensata nas decisões e não saia por ai se jogando ao perigo toda hora (um fato comum nesse tipo de literatura). Também me surpreendeu Nicholas ser um cara tão fofo e simpático, virou meu segundo favorito dos irmãos (afinal, o primeiro é ~~~**Geoff**~~~), pensava que por ele ser o caçula ele ia ser retratado como o mais mimado ou que sua estória fosse mais comédia do que romance (como foi a de Rob), não, aqui o conflito gira em torno basicamente do fato dele está doente e não poder se comprometer e nem esperar nada do futuro por conta disso.

Fiquei feliz também que a autora não adotou a linha mística que vinha fazendo nos últimos livros, não combinava em nada e só servia como fundamento para a predestinação do casal. No entanto, meu pitaco pessoal, acho que foi mal aproveitada a parte em que Emery se veste de homem e temos um vislumbre de Nicholas temer se apaixonar por um rapaz quando na verdade era uma garota. Quando li a sinopse pensei que essa seria o fio condutor principal. Ledo engano. Poderia pensar aqui em mil situações que me fariam rir a beça disso ( coffee prince manda beijos ;)).

Também aguardei a conclusão da obra muito mais saudosista em relação a toda família e me tocou a falta que fez isso. Mas, como presente especial temos a participação do queridinho irmão inteligente, que meio que apaziguá a falta dos outros irmãos.

Dito isto, O Último de Burgh foi um livro mediano e acho que fugiu um pouco mais dos demais, há pitadas de menos de romance ( o que sinceramente não se esperava de um de Burgh, se é que você me entende). Fico aqui imaginando que talvez a autora só queria se livra da saga, afinal são 20, VINTE, XX anos escrevendo a série e, por mais que ela ame escrever, talvez já estaria de saco cheio das milhares de leitoras amolando pela conclusão dos livros, vai saber :p

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As Crônicas de Gelo e Fogo, um caso de ódio e amor

Só para quem já leu A dança dos dragões….

Tudo começou como um desafio. Há alguns anos (não muitos), li uma matéria na veja online que absurdamente explicava as razões e os motivos de As crônicas de Gelo e Fogo ser melhor que O Senhor dos Anéis.

Quando li isso achei a maior afronta da história da literatura mundial, como, no mundo, alguém poderia afirmar que alguma obra fosse melhor do que a saga épica escrita por J. R. R. Tolkin? Para mim aquilo foi nada menos que uma blasfémia (e continua sendo, mas por outros motivos, explico adiante). A questão é que eu não conseguir engolir aquela comparação e curiosamente fui ler a dita obra. Entendam que na época o livro começava a ter mais sucesso, havia especulações de que a série seria adaptada para a televisão, então os holofotes já se voltavam para os livros que começaram a serem publicados em 1996!

Então me pus a ver o que tinha de tão bom nesse livro. E foi desafiador e bem demorado!

O primeiro volume A guerra dos tronos, eu li rapidamente e, de certa forma, me empolguei bastante com a narrativa que o autor empregou, com os personagens problemáticos e diferentes, o mundo sobrenatural ao lado das questões políticas de uma terra medieval fictícia e sobrenatural, além daquele final surpreende e longe dos lugares comuns dos livros nossos de cada dia. Entretanto, aquilo tudo ainda não tinha me empolgado. Explico, porque vocês vão entender o motivo da minha brusca mudança: Eu já tinha começado a leitura com aquele gosto amargo de “alguém ousa dizer que George R. R. Martin é melhor que Tolkin”, ou seja, eu estava bastante chateada com aquela comparação feita por algum idiota da Veja online, pois eles não eram os únicos nisso, então cheia de preconceito continuei minha leitura e fui ao segundo volume da saga “A Fúria dos Reis” e ali um vislumbre do que eu acharia daquela série começou a aparecer.

No entanto, por N razões, não prosseguir minha jornada, sobretudo por quer hoje, humildemente, venho reconhecer que As crônicas de Gelo e Fogo é um livro bastante complexo e isso é o que faz tão incrível e tão fascinante.

Há diversos post que digo o quanto a atual literatura está fraca, obviamente voltada para um público que apenas consome e consume cada vez mais, sem ao menos se preocupar com a qualidade do que se tem em mãos. Nisso, a grande e esmagadora parte dos livros que li nos últimos anos são daquele que podem ter 500 páginas, mas que em um dia eu os leio como se fosse um gibi. E não falo apenas dos meus romances água com açúcar não, é ficção científica, é terror, é mistério, suspense, ação e fantasia, de tudo um pouco, digo que são leituras fáceis.

Com As Crônicas foi diferente. Depois de dois livros seguidos, em uma leitura continua e sem intervalos, minha cabeça e mente estavam doendo e girando respectivamente. Não estava acostumada com o enredo de mil e um personagens, tantos pontos de vista, com tanta história, tanta emoção e moralidade escritos. Martin escreveu algo que não se pode ser lido em apenas um folego, como sempre faço, não, nesse caso a leitura deve ser feita de forma extensiva, cuidadosa, onde nós mesmos vamos criando nossas linhas narrativas, nossos personagens e nossas teorias.

Assim, tive que dá uma pausa, estava no auge de provas na faculdade e envolvida com outras atividades e, quase três anos após meu primeiro contato com o a série, já quase me esquecendo do que ela representou no início, voltei meus olhos para ele novamente. Comprei logo o box com os cinco volumes lançados e mergulhei de cabeça no mundo de Westeros. Novamente, comecei minha leitura do início e apesar do meu folego retomado, quase cai na mesma armadilha que querer ler tudo de uma vez só, dessa vez me controlei melhor, mas o que não quer dizer que não virei noites com eles, ou que lia tanto que minha cabeça doía, sim, essas coisas continuaram a acontecer, mas fui até o fim e já estou triste.

Isso por quer já estou com saudades dos personagens, eles são bons, muitos bons. Jon, Cercei, Sor Barristen, Hodor, Bran, Brienne, Jaime, Theon, Joffrey, Daenerys, Davos, Arya, Gendry, Sam, Tyrion, Missandei, Stannis, Asha, Catelyn, Arys, Aegon, Sansa, Jojen, Totarmund, Robb, Renly, Sor Jorar Mormont, Meistre Pycelle, Varys, Lord Cunningan, Merreca, Melisandre, Varamyr Seis-peles, Verme Cinzento, Rickon, Mance Ryder, Tommen, Loras, Fantasma, Meera, Lorde Bolton, Tisha, Meistre Aemon, Corvo de um olho…. Tantos…. aqueles que amamos, aqueles que odiamos e aqueles que não sabemos o que sentimos.

E nos personagens temos uma grande e satisfatória construção de Martin: não há dois lados da moeda na história como dá a entender o título Fogo e Gelo, que incorporam o bem e o mal, mas há, entretanto, tantos pontos de vista que no decorrer da leitura você se depara com situações incomuns aos mocinhos e heróis que costumamos amar.

São dilemas morais e que me fazem perguntar o que faria se tivesse na mesma situação. Sansa, Jaime e Tyrion são meus maiores exemplos. Mas além disso, Martin merece todo meu respeito por misturar de forma tão harmoniosa todos os maiores temas da literatura de ficção clássica: cavaleiros e heróis, guerra, reis e suas dinastias, estórias de religiões, dragões e outros animais fantásticos, magia, política, dilemas morais como já mencionei e por fim, meu preferido, romance….

….tão pouco, eu sei. Mas ai mora um dos meus maiores problemas na saga de Gelo e Fogo: EU ADORO ROMANCES!

Sério, em se tratando de romance eu consigo imaginar uma comovente e linda estória de amor só em ver duas formiguinhas juntas, então imaginem como me sinto ao me deparar com toda essa áurea não piedosa de Martin com seus personagens?  Matando a torto e a direita qualquer um dos personagens, sendo principal ou não?

Então eu realmente sofri com Jon e Ygritti, e continuo a tecer vãs esperanças com Jaime e Brienne (eu adoro a Brienne, apesar de ter sentimentos confusos em relação a Jaime), Arya e Gendry (eu realmente, realmente, realmente, torço para que o autor resolva destino unir eles de novo) e até por Tyrion fique com Merreca, ele já sofreu bastante no amor e ela é uma gracinha! (eu disse que era viciada em romances água com açúcar :p)

Outra coisa que me fazia segurar a leitura da obra é saber que ela está longe do fim. Eu fico muito ansiosa quando não acabo algo que começo, sobretudo quando se trata de livros. Mas como eu não ia ficar aguardando mais 5, 7, talvez 10 anos, para que o sétimo livro fosse lançado comecei mesmo assim, me treinando mentalmente para no fim do quinto volume eu não ficasse doente de ansiedade, isso me ajudou mentira, já estou na maioria dos fóruns sobre o tema e lendo mil e uma teorias de como será o fim e lendo fanfics sem fim—triste vida.

Enfim, aqui estou e voltando ao que comecei a falar no início do post, continuo achando um abuso a comparação com O Senhor dos Anéis, tal como a comparação que fazem deste com As Crônicas de Nárnia, é que não dá dois universos tão diferentes e tão bem escritos, pensados, complexos que essas obras traduzem. Por agora, não ouso dizer que George Martin entrou na galeria desses grandes nomes da literatura fantástica (não falo isso nem de Harry Potter!), como disse, vivemos em uma época tão consumista, rápida que eu acho difícil dizer se o que faz sucesso hoje, o fará daqui a 50 anos.

Agora, com relação as crônicas o que me resta é aguardar Os Ventos do Inverno e acompanhar Game of Thronos, que é uma série muito bem feita e com atores fantásticos, além de cenários e efeitos especiais dignos de cinema!

De qualquer forma, lembrando do meu antigo preconceito com o livro, é tão bom ter mudado de opinião!

Evelina de Frances Burney

Posso respirar?

Até então, eu estava em uma rotina severa de estudos. Terminei a faculdade, passei na prova da OAB (fiz de Direito) e logo de cara arrumei um emprego/bico que atualmente está me fazendo suar sangue, o que me justifica a ausência de publicações, mas meio sem querer querendo me dei o desfrute de devorar, literalmente, minha mais nova aquisição:

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Evelina, 387 páginas, ilustrado

E com isso eu venho vos apresentar a linda senhorita Evelina.

Há alguns posts atrás declarei minha aversão aos romances literários de hoje, há, claro, suas exceções, mas com o termino dessa obra de  1778 pude mais ainda firma o entendimento que não se fazem mais estórias como antigamente, onde a boa palavra, o texto, a escrita, seus personagens e contexto nos fazem sair para um outro mundo e saber que escrever, de fato, não é para qualquer um! eu que o diga :/

Depois de fortes recomendações, e da própria autora ser conhecida como de grande influência para Jane Austen, fui impelida e comovida a adquirir a obra, desconhecia no nosso país, pela Editora Pedra Azul, novíssima no mercado e com a fofa e linda intenção de trazer a tona esses clássicos de outro tempo que foram esquecidos diante de um mercado tão faminto por conquistar e vender qualquer coisa superficial, pois o que importa é o dinheiro. Enfim, comprei o livro e parece que minha mente foi acordada da ausência de boa leitura (e, aqui peço desculpas aos leitores, poucos, desse blog se pareço arrogante diante de minhas comparações, não é minha intenção, mas espero que entendam que trata-se de uma opinião) e assim passo as considerações do livro.

Evelina, título e personagem deste livro, é uma desconhecida hoje. A garota que até aos 17 anos tem uma vida livre e pacata, sem maiores problemas, no interior da Inglaterra,  é recatada, pura, tímida e dona de virtudes e beleza incomparáveis. Entendam, ela não existe mais hoje, e mesmo na época em que a estória se passa, percebemos o quão a sua figura é admirada e adorada justamente por tais qualidades que se naquele momento já não eram vistos nas damas da sociedade, imaginem hoje!

O texto todo me lembrou muito ” A Abadia de Northanger” de Jane Austen, publicado bem depois, pois em ambas as obras temos as aventuras que uma jovem dama passa ao entrar na sociedade inglesa da época ( sendo justamente este o subtítulo de Evelina: A história da entrada de uma jovem dama ao mundo). As duas nesse caso, cresceram em um interior rural e, sendo inocentes do que se passa nas altas rodas de Londres, passam por maus bocados diante de pretendentes interesseiros e tutores descuidados, a diferença está, no entanto, no fato que em Evelina, a história adiciona um mistério e um complicado enlace acerca da família da heroína, já que seu pai, um influente homem que vive na França não a quer reconhecê-la como filha e na obra de Austen temos as confusões que Catarina se mete por conta de sua imaginação fértil.

No mais, nas duas encontramos o estilo de distorcer as relações da sociedade que se encontravam, a vida doméstica é o centro de tudo ali. Os bailes, as obras, os passeios na fonte (sempre riu desses passeios, principalmente ao lembrar das cenas do filme de “Persuasão”), temos os personagens apatetados que acham muito de si mesmos por terem algum título, aqui destaco o Sir Clement, que me dava nos nervos as investidas dele em Evelina, Madame Durval, uma megera e o Capitão, igualmente tolo. Há também aqueles personagens que queríamos que existissem, como o reverendo Villars, que cuidou e protegeu Eveline por toda sua infância e o próprio Lord Orville, o interesse amoroso da garota, sempre cortês, gentil e cavalheiro (algo raro, senão extinto, hoje em dia).

E Evelina, sendo a estranha que disse que era, no começo, me causava aflição o fato dela ser sempre tão desencorajada e facilmente levada pelos outros, mas fui me acostumando ao temperamento da moça, que à época, fui forçada a lembrar dentro do próprio texto, a honra de uma mulher é a coisa mais fácil de se quebrar e ela, sempre firme em suas proposições, nunca ofendendo ninguém, mas ao contrário, até com as piores pessoas ao redor, sempre se manteve digna e solicita a eles. Acabei gostando muito dela e, por que não, tirando algumas lições para a vida também?

Quanto ao romance, que é o que eu mais amo ler :D, ele desenvolveu daquela forma lenta e não violenta que as obras de Austen apresenta, não é amor a primeira vista, mais um desenvolver recíproco de amizade e gratidão.

E então, se minha capacidade, ou mesmo, se meus ânimos estivessem melhores, em que animada conversa eu poderia haver engajado! Foi quando vi  que a posição de Lord Orville era sua menor recomendação, seu entendimento e seus modos sendo muito mais distintos. Suas observações sobre a companhia em geral eram tão aptas, tão justas, tão vivazes, eu mesma estou quase surpresas que não tenham me reanimado; mas de fato, eu estava muito bem convencida do papel ridículo que eu havia desempenhado ante tão bom observador, para ser capaz de desfrutar de sua jovialidade. Tanta autocompaixão deu- me sentimentos por outros. Ainda assim eu não dispunha de coragem para defendê-los ou recobrar minhas forças, mas o ouvi em silencioso embaraço- pág. 35

Como o livro é escrito no formato de cartas, temos uma visão bem pessoal de Evelina na narrativa, o que facilita o entendimento da personalidade dela e de como vê o ambiente em sua volta. E com prazer, mesmo sendo leiga no assunto, percebi o cuidado da tradução em preservar certas expressões da épocas, mas que foram justificadas e devidamente explicadas nas notas de rodapé.

Óbvio, então, que eu amei o livro e me deleitei em cada parte e mesmo sendo uma estória simples, torci muito por um final feliz para a protagonista ( como eu sofri quando surgiu a ideia dela se casa com o horroroso primo!) e pelo desenrolar da sua aventura familiar (e como, hoje, nós temos que levantar as mãos para o céu pela existência do teste de DNA, alô programa do ratinho ;P ). Enfim, Eveline é um livre que vale a pena  se lê.

Desejo, de todo coração, que mais obras como esta sejam disponibilizados pela Pedra Azul Editora, que são uns fofos, pois mantém contato direto com o cliente e, atualmente, mantém frete grátis para todo o Brasil e cada livro ainda acompanha vários marca-páginas e broche com tema das obras 😀 já virei cliente!

E sabe aquela sensação de ótima compra? Pois é, fiquei com ela assim que terminei de lê!

Beijos e até a próxima!

Métrica – Collen Hoover

Não é como A culpa é das estrelas

 

A comparação que faço entre os dois livros para mim e óbvia, uma história triste que fala sobre perda e superação para a galerinha infanto – juvenil. Não estou desmerecendo as obras quando falo isso (ou não  nesse sentido), mas lembrando o que certa vez li na internet no site de um renomado jornal sobre a modinha recente (naquela época, A culpa é das estrelas estava no começo do seu sucesso) de narrar estórias depressivas voltadas para esse público. Não vou entrar no mérito da questão de fazer bem ou não a onda de livros com um teor de auto ajuda indireta, não sei dizer isso, mas na época meu interesse era zero de ler o livro, só recentemente que o li, não achei grande coisa o livro, é bom, e apenas isso.

Só que hoje li Métrica de Collen Hoover, lançado pela Galera Record, e me lembrei imediatamente de A culpa é das estrelas. Mas pra falar a verdade, fui meio a cegas ler esse livro, não li a sinopse e pela capa julguei apressadamente que se tratava de mais um romance sobrenatural desses que estouram a cada semana por ai. E não sei o que me deu (sei sim, na verdade só queria fugir de uma obrigação que tinha que cumprir hahhahaha) o peguei para ler, e claro, trata-se de mais uma versão dessas de A Culpa é das estrelas. E eu gostei, e fiquei até impressionada com isso!

Mas vamos aos fatos.

Em Métrica, Laken,  uma garota de 17 anos que acaba de perder o pai, dolorosamente tem que se mudar de estado junto com a mãe e o irmão mais novo. Quando pensa que nunca mais poderá ser feliz, ou superar a dor que sente pela falta do pai, ou mesmo se acostumar com a nova vida ela conhece Will, o seu vizinho mais que lindo e mais que interessante pelo qual se apaixona imediatamente. Nisso, parece que todos os seus problemas desaparecem e que ela estava vivendo um sonho quando descobre o inimaginável, o Will  é o seu professor, e nem ele desconfiava que ela era sua aluna, ou seja, paixão proibida a vista! Mas isso não é o pior, Laken descobre que essa não é a única coisa da qual ela vai sofrer…

O livro tinha três coisas pela qual eu sabia que não ia gostar, uma deles, e o que me incomodou boa parte do livro era a protagonista. Laken não é das minhas, seus ataques de nervos, suas birras, o ciúmes que causava em Will não me fizeram ama-la. Outra situação é o fato de se tratar de um livro sobre a morte, e por último o fato de conter poesia (olha o título do livro ai 😉 ).

Mas a parte boa é que todos os defeitos que eu encontrei para não gostar foram superados, em parte por que eu parei de birra e aceitei o livro como ele é. A heroína depois de muitas páginas conseguiu me afetar um pouquinho, acho que a autora quis mostrar o processo de amadurecimento dela, de uma adolescente em uma fase de transição para uma adulta responsável lidando com as perdas pela qual passara. O fator morte, ou tristeza, eu geralmente não gosto de livros assim, pois tenho a impressão que a maioria dos livros não trata com a profundidade e a dor que ela causa, e aqui não foi diferente. No entanto, mais do que falar da perda de alguém, o livro trouxe o romance, não focou na morte em si. Enquanto leitora, eu não esperava o desfecho da morte, mas sim o desfecho do romance entre Laken e Will (é bem previsível, a gente sabe logo que os dois vão ficar juntos), o que ganhou pontos comigo em relação ao “A Culpa e das Estrelas”. E sobre a poesia, meu terceiro ‘não gosto’, só vejo que muitos livros que tem esse contexto (onde citam poemas, ou se utilizam deles para formar o próprio enredo da obra) são muito chatos ou então sou lenta o suficiente para entender, vai saber, e mais uma vez, tornam superficiais. Nesse, pelo contrário, adorei as citações no início de cada capitulo, e mais ainda o slam, clube onde as pessoas iam para declamar suas próprias poesias e eram julgadas de acordo com suas performances. Eu amaria ir num lugar desses!

As declamações que mais gostei foi as da garota sobre o “suéter azul”, a do Will (a primeira que ele faz e mostra para Lake) e a da Eddie, melhor amiga da protagonista. Lindas, me toquei com elas, mesmo sendo fictícias.

Sendo assim, com o decorrer da leitura pude aproveitar melhor o livro, me sentir um pouco triste com a perdas que Laken estava passando, e apesar de julgar as atitudes delas como infantis, me perguntei se eu não me sairia da mesma forma se passasse por isso. Apesar de me achar madura e bem centrada nas minhas atitudes, vi que de fato, nos momentos de crise, as verdadeiras crises, é impossível descobrir como agiremos e então recordei o dia que viajei para um lugar que eu não queria ir, para ver pessoas que eu não gostava. Curioso era o fato de que eu sonho ser uma mochileira daquela que anda por toda, por toda mesmo, parte do mundo. No entanto, na primeira viajem que fiz sozinha (um sonho que tinha) fui forçada a ir a tal lugar, e foi terrível. Nada de externo me aconteceu, mas por dentro eu queria chorar, queria voltar para casa, me sentir sozinha e triste. Eu estava lamentável. Por fora, eu estava, como sempre faço, a sorrir e a falar com todo mundo, como se estive no momento mais confortável da minha vida, por dentro, por outro lado, eu gritava de desespero, foi então que tive uma epifania: eu era uma criança! Sim, daqueles que batem o pé quando querem algo, gritam, esperneiam e que acham que podem fazer tudo o que querem. Foi assim que me vi. Insegura diante de uma situação nova e que fugiu do meu controle.

Então, pude voltar a compreender a Lake (ou boa parte das atitudes dela). Vencida essas barreiras voltei-me para outros personagens do livro e gostei muito da Eddie, da personalidade fácil e da estória por traz dela. Claro que a achei a coadjuvante clichê de sempre, mas que mereceria ser a protagonista do próprio livro, além do que, ela me fez lembrar uma amiga minha, com o mesmo jeito alegre de ser, linda, e boa amiga, ( e o curioso fato de ambas fazerem poesias) e infelizmente com uma estória tão triste quanto a da Eddie do livro, agravada, logico, pelo fato de que a estória dela é real, e ao contrário do livro, minha amiga ainda sofre muito com a dor causada pelo passado. O que eu mais queria era que o final do livro, um final feliz romanceado, pudesse se aplicar a minha amiga também.

Quanto ao Will, ele me lembrou muito o Carter do Álbum de Família. Super fofo, além de cuidar tão bem do seu irmãozinho e ser professor de poesia (caras assim só em romances mesmo…), ele ganhou pontos comigo por fazer cenas tão fofas quanto qualquer romancezinho de banca de revistas, ADORO. No entanto, ele não foi meu protagonista perfeito, algumas atitudes dele me fizeram esquecer que ele era descrito como alguém tão responsável quanto era qualificado.

Enfim, é um bom livro, agradável para uma tarde em casa e com o céu nublado do lado de fora. Não um romance de tirar o folego, longe disso, mas é fofo, agradável, e fácil de entender. Acho que por isso vale a leitura. Eu gostei.

p.s.: Métrica faz parte de uma trilogia.

Conclusão: A capa que me fez julgar o livro de forma errada, mas que de alguma forma eu acertei.

Nota: 8

“A pontuação não é o objetivo; o objetivo é a poesia.”

— Allan Wolf.

A lua de mel, Sophie Kinsella

Uma mulher com o sonho de finalmente se casar. Uma outra mulher tentando superar o terrível divórcio que estava vivendo.

É assim a excelente história desse livro, Lottie e Fliss são irmãs, muito próximas, mas estão vivendo fases diferentes da vida. Quando acha que finalmente achou o homem certo para casar… ele não aceita! O mundo de Lottie vira de cabeça pra baixo e então resolve se casar com uma paixão de quinze anos atrás, que aparece do nada e a leva para passar a lua de mel na ilha grega onde se conheceram. Tudo parece lindo, só que para Fliss isso não passa de mais um desastre na vidada irmã mais nova, e para impedi-la de consumar o casamento faz de tudo, DE TUDO, para que a sua infeliz história que acabou em um tenebroso casamento não se repita, e para isso contará com a improvável ajuda de Locan, advogado do noivo da irmã que também vai tentar impedir esse casamento.

Como mais um livro de Sophie Kinsella, espere para dá muitas, mas muitas risadas! O livro é maravilhoso e bem contado. Pela primeira vez li um livro dela contado por duas perspectiva, a de Lottie e Fliss e cada uma é mais divertida que a outra. Enquanto Lottie, a irmã mais nova, passa por um fim de relacionamento com o homem que ela achava que iria pedir ela em camento, Fliss vive o fim do seu, o ex-marido é horrível e o pior, não parece se importa com Noah, filho deles, a questão é que o divórcio está a afetando em tudo, do trabalho a vida particular. Parece uma trágica história feminina, mas nas mãos dessa autora se transforma e uma série de gargalhadas sem fim. A melhor parte, é claro, é a lua de mel mal sucedida de Lottie e seu ‘marido’ Ben. Ao comando da irmã tudo de pior acontece para que a noite de núpcias não aconteça.

Como nos outros livros, principal na série Becky Bloom, as tiradas são ótimas, rápidas e nós entendemos o humor facilmente. O romance também é fofo, já que temos Richard, o namorado de Lottie que não quis, a principio se casar com ela. No começo dá muita raiva dele, mas depois faz de tudo para recuperar o amor perdido e então ganha meu coração! Ben por outro lado é aquele cara que a gente pensa que é o sonho de qualquer mulher! Ele aparece do nada e a pede em casamento, tudo parece perfeito até que as primeiras horas de casados se passam e o homem lindo, rico e sensual se mostra um crianção!

Recomendo muito esse livro, agora não leia em locais públicos, as chances de pagar mico por rir loucamente são altas!

Conclusão: nunca tome decisões precipitadas, principalmente se for pedida em casamento por um grande amor do passado lindo e milionário!

Nota: 10! dez e dez!

Álbum de Casamento, Nora Roberts

Álbum de Casamento é um romance de Nora Roberts que faz parte de uma série de livro, Quarteto de Noivas,   e conta a história de quatro amigas que tomam conta de uma empresa, que, adivinhem só, de festas de casamento! Há!  E cada uma é parte essencial dela. Emma é a florista e decoradora, Parker é a administradora, Laurel é a doceira e Mac, a fotógrafa, além de darem tudo de si para fazerem os melhores casamentos, vão ter quer se desdobrar para encontrar o verdadeiro amor.

Nesse primeiro volume, Álbum de Casamento é voltado pra Mac, uma mulher com uma vida bem desestabilizada no quesito romances e que não acredita no “felizes para sempre” mesmo sendo sócia de uma empresa dedicada à isso, mas tudo muda ao encontrar Carter, um antigo colega de infância que mantinha uma paixonite por ela e que agora vai fazer de tudo para conquistar -la.

Gente, esse livro é tão doce, é uma leitura bem descomplicada e fácil, mas o que sai ganhando acima de tudo é o Carter, ele é demais!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! É fofo ao extremo, me apaixonei por ele, sério mesmo, terminei de ler desejando esbarrar em um por ai, do nada!.

Na descrição do livro, Carter é doce, gentil, inteligente, usa óculos (s2), adora leitura (s2), é professor de Inglês, ler poesia, é tímido, ficar com as orelhas vermelhas, é nerd e é desastrado!

Ahhhh, é muita fofura pra uma pessoa só! E fora o fato dele amar a protagonista desde a adolescência, awnnnn, isso me matou de tanta fofura.

O Carter, desde o início, é posto como um homem pra casar mesmo, e acho que por isso não fui com a cara da protagonista a maior parte da história. Mac, mesmo tendo toda a perfeição do mundo ali na sua frente, ficava em dúvida dos sentimentos sobre ele e se valia a pena ter um relacionamento a sério com ele. MAS PELOAMORDEDEUS MAC! Fiquei frustradíssima com ela!

Mas isso se deu principalmente por quer Mac é totalmente diferente de mim, não combinamos (tirando o fato que amamos caras que usam óculos e são tímidos). Do meio para o fim, vá lá, eu acabei entendo o lado dela. E ai dei minha benção ao casamento.

Assim, esse livro é todo açucarado, além do fator cara que usa óculos+tímido+inteligente tem as amigas dela que são umas graças, acredito que vou gostar mais ainda delas nos próximos livros da série.

Conclusão: Dá vontade de sair do mundo real e ir parar nesses livros e encontrar com um Carter só pra gente s2!

Nota: 8

 

O Trono de Vidro e o mais mais do mesmo

Não se iluda com a capa

Trono de Vidro, publicado aqui no Brasil pela editora Record e escrito pela norte- americana Sarah J. Maas e conta a história de Celaena, a maior assassina do reino de Erileia, que foi feita prisioneira nas minas de sal de Endovier, sofrendo um bocado lá, mas foi resgatada pelo príncipe Dorian que a ofereceu a liberdade a custa dela ser sua campeã em um torneio para eleger o maior guerreiro do reino. Para Ceelaena seria fácil ganhar a competição, no entanto, o que ela não imaginária era que mortes misteriosas aconteceriam durante o evento e que caberia a ela desvendar o mistério.

Vejam, não é uma ótima história? sim, realmente. Ao ler a resenha você pensaria que se trata de uma heroína badassss, forte e corajosa, que o livro tem um ótimo mistério para resolver e que nos faríamos rachar a cabeça pensado sobre quem cometeria os assassinatos, que teria uma livro de fantasias a mão maravilhoso. Sim, eu cai na armadilha.

Apesar da história boa e que renderia muito bem, o enredo é pobre, os personagens são superficiais, escrita deficiente e diálogos mornos. Como já mencionei, o livro é mais uma adaptação de tudo que temos aí, uma competição mortal, um monte de gente servido como tributos do reino, um triangulo amoroso, que em tese nos faria ficar dividida, mas não é tudo tão previsível e  fraco que por diversas vezes eu quis que o livro terminasse logo. E olha que ele é grande, foram 392 páginas, mas devido ao fraco desenrolar da história eu o li em apenas em um dia, o que é um absurdo, já que eu o peguei pra ler às uma da tarde, e terminei pouco após a meia noite, e essas horas não foram seguidas!

Os problemas: como na vida a maior assassina do mundo (é assim que ela é famosa na trama) cai em tantas armadilhas bobas? sério, me dava raiva por quer os pitis dela são dignos das heroínas da Halerquins ( vulgo romances de banca de revista), é vencida facilmente pelo capitão da guarda (que nunca matou ninguém~~sério), sendo que ela passou a vida inteira em treinamento para ser assassina, realmente um mar de contradições. Outro problema é que o livro dá a impressão, bem no início, de que se trata de fantasia e que ela é, a assassina, é uma espécie de fada ou sei lá, isso é esquecido no meio do caminho, ou talvez a autora desenvolve isso nos livros posteriores (deus nos ajude). O romance também dá uma dor de cabeça acompanhar, por quer é tão fraco, tão insosso que dá pena. O casal principal é o Dorian e ela, ele, principe, bonito, mulherengo e tudo mais se apaixona por ela, e ela também, mas não vemos como se desenrolar esse romance, de uma hora para outra, pam, tá lá, um casal perdidamente apaioxonado. Há também o capitão da guarda Chaol, amigo íntimo do príncipe e treinador de Celaena, e que aí sim, torcemos pra que algo aconteça entre esses dos ( e confesso, foi isso e apenas isso que me motivou a terminar esse livro), mas não há nada, nada mesmo, e mais uma vez, talvez a autora queira desenvolver isso nos próximos livros (deus nos ajude). A questão do mistério, das marcas e da antiga religião do reino também foi mal explicada, cenas sem coerência  e inúteis à trama eram vistas a toda hora. A escrita era péssima, e não sei se foi um problema da tradução (mas lembrando que trata-se de um livro distribuído pela Galera Record, então, em tese não teria esses problemas), eu fiquei pensando na falta de utilização dos pronomes, por quer a todo momento, celaena era apenas a assassina, assassina aquilo, a assassina olhou para ele… a assassina mirou em seu peito etc… sendo que em todo o livro ela não matou ninguém, até quando a vida dela dependia disso… ela não sujou suas mãos com sangue. Ainda na escrita, a pobreza na descrição dos cenários me chateou, afinal se via que o  objetivo era fazer se ter uma ideia dos cenários, das paisagens, das roupas, mas não conseguir visualizar nada, até o castelo de vidro, onde acontece a maior parte dos eventos, eu não conseguir entender como de fato ele era, e olha que imaginar um castelo medieval feito de vidro não é o mais dificil ( e é uma fantasia, o que permite a nossa imaginação rolar solta!) .

E esse texto longo é só para dá minha opinião contraria a muitas resenhas na internet que falam o quanto esse livro é bom, maravilhoso, surpreendente etc…E foi essa falsa ideia que me levou a ler o livro chateada agora,  e estou dando tantos detalhes pelo simples motivo de que acabei de lê ele, certeza que daqui a uma semana a única lembrança que vai restar de O Trono de Vidro é o de quão ruim ele é.

#revolts

Por último, minha curta crítica a essa massificação das obras voltadas para o publico juvenil. Eu sei  e concordo com a velha máxima de que “nada se cria, tudo se transforma”, mas aqui vemos apenas a repetição do mesmo, enredo, personagens, histórias e isso é extremamente maçante! Aquela sensação em pegar um livro e ver as mesmas histórias sempre, é de irritar! Foram inúmeros os livros que já larguei no meio do caminho por isso e por serem sempre tão ruins e tão pobres em conteúdo como A Seleção, Cidade dos Ossos, 50 Tons de Cinza, Toda Sua, Divergente e Percy Jackson dentre outros que exploram a mesma temática, mas sem contribuir nada com ela. E as editoras, claro, querem vender, querem lucrar, não fazem nada mais do que alimentar esse mercado com qualquer ideia que um dia possa virar um filme e arrecadar mais milhões. Enfim, é triste, e eu me pergunto por onde andam as boas ideias, por quer sim, elas existem, e torço para que os bons livros voltem as prateleiras.

Conclusão: tirem toda a balela de assassina e botem em uma banca de revista por R$ 10,00 que vai render mais.

Nota: 3, e apenas por Chaol ( I’m Team Chaol S2).